30/03/09
se insinua o sêmen
na lacona lagoa lacunar
e da sádica sede se ressente
o sentidono sentido cunar.
se sádica ou sábiaquem o saberá?
se salubre salgado
o teu sabor a odre
é a onda do útero
é terra que remorde
a espera de esperma
nas ásperas paredes.
e o significado vem
da fricção rítmica e formal
entre as mucosas rubras
do pênis, da vulva, da boca
ou da anal.
24/02/09
No carnaval da avenida
Entorpecida de cerveja e cachaça ela beija. Na mesa do bar traquina um pé. Na avenida samba reinando. No brilho da purpurina ela é a que mais cintila e do alto do seu salto governa um mundo. Na quinta feira depois das cinzas, vencedora ou perdedora, ela tira a camisa amarela, a máscara dos olhos, a fantasia dos pensamentos, toma o ônibus às cinco da manhã e por duas horas cochila no sacolejo, primeiro pelas vielas estreitas, depois por largas avenidas, e enterra o carnaval na faxina da madame.
25/07/08
19/07/08
decadence avec elegance
O mascate lembrou daquela moça por causa dos anéis, vendidos por uma ninharia dias atrás. Ele viu as jóias abandonando os belos dedos, como uma tripulação desesperada em meio ao naufrágio. Deixou o brechó com a vitrolinha debaixo do braço. Era só o que lhe restava.
O dinheiro recebido pelo vison foi gasto com um táxi, com um vestido de noite e com um par de sapatos novos. O sanduíche de mortadela entusiasmou o seu estômago... e a vitrolinha ficou no boteco.
E se foi, pisando firme, como quem ainda poderia ser feliz, destoando no luxo trivial de um lanche no balcão do bar. Estava pronta.
Circunstancial. Suas raízes eram perenes.
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Uma parceria com Hesidro Lanoia
23/06/08
Noite Cão
04/06/08
02/06/08
In the city...
Parávamos nos muros pra nos beijarmos, avenida na hora do rush, os carros passando e a gente se amassando.
Encontramos uma praça. Eu de saia, ele metendo os dedos dentro da minha calcinha. As pessoas passavam e não tinha como não notar a cena. Ele de bermuda, eu tentando bater uma punheta disfarçadamente.
Resolvemos procurar outro lugar. Encontramos uma espécie de pracinha mais sossegada.
Encostamos na parede. Tirei a calcinha, ele se abaixou e começou a me chupar feito um louco, eu gemendo alto, não resisti: gozei na sua boca, rindo das pessoas que passavam e procuravam da onde vinha o barulho.
30/05/08
Infinita Preguiça
Acordei com a certeza de que Deus não existe, e dada a vacância da posição assumi de todo pronto o posto, porque o mundo, ou pelo menos a cidade onde moro, ou só a minha quadra mesmo, não sobreviveriam mais que poucas horas à esta ausência.
Na cama ainda me encontrava quando pensei em fazer uma revolução, trocar mandantes por mandados, queimar shoppings, igrejas e carros importados com raios e trovões vindos do céu, a justiça divina de uma mente atordoada de ressaca.
Porém, tão logo me veio à mente a visão final desse vazio, me veio à lembrança a “revolução dos bichos” e virei de lado. Talvez aproveitasse somente pra cuidar do eu, de mim, então pensei em comida, bebida, mulheres, conforto, mas fosse qual fosse o trivial gozo de corpo e alma prometido, teria que me levantar, lavar o rosto e dar prosseguimento à mandos e desmandos, virei de lado novamente, a cama quente, o quarto escuro, estirei o braço debaixo das cobertas, cutuquei Deus no ombro, e mandei-o reassumir o posto com urgência.
28/05/08
Conquistador (II)
Foi o primeiro a percorrer os caminhos do meu corpo.
Desbravou minhas matas.
Rompeu minhas barreiras.
Banhou-se em meu rio.
Penetrou em minha intimidade.
E decifrou os meus mistérios.
Entreguei-me de corpo, alma e coração.
Ele roubou minha inocência.
Corrompeu minha alma.
Com seu punhal dilacerou meu peito.
Arrancou-me das entranhas aquilo que eu nem supunha conter.
Possuiu-me tantas vezes
Sem jamais me possuir.
Ensinou-me o quanto eu sei, e por isto lhe sou grata.
De discípula, passei a igual.
E partimos, os dois, em busca de novas conquistas.
23/05/08

Cavaleiro andante.
Romântico, sensível.
Músico, artista.
Está em busca do amor e das aventuras.
Silêncioso.
Só fala quando é preciso.
Mas tem muitos amigos.
Demora a se envolver, mas se apaixona.
Vive a paixão ao máximo.
Jovem e elegante.
Leva uma taça.
É adepto do amor à moda antiga.
Faz belas serenatas para encantar a mulher desejada.
*E eu sempre me apaixono pelo mesmo tipo de homem.
21/05/08
Light My Fire
Eu nunca gostei de bandas cover. Não sei exatamente o por quê, mas nunca gostei.
E tinha aquele cara... ele era o oposto do que me atraía na época. Aliás, em todas as épocas, pra ser mais exata. Antipatia meio que gratuita, sei lá.
Era o vocalista. Apelidei-o de Quero Ser Jim Morrison. Até parecia, um pouco. Mas com alguns quilos a mais. Sempre nos víamos nos bares e festas, mas eu fazia questão de não cumprimentá-lo. Aquele cabelo brega, as camisas espalhafatosas abertas no peito, a unha grande do dedo mindinho. Causava-me verdadeiro asco.
Mas era época de seca. Entre safra, sabe como é que é? Era uma festa e, quando passei pelo corredor em direção ao banheiro, ele me puxou com força. Não sei o que se passava comigo naquele dia, mas acho que já tínhamos trocado olhares demais. E ele deve ter notado alguma receptividade de minha parte, caso contrário não teria tomado tal iniciativa, eu acho.
Ele me agarrou com fúria e me prensou contra a parede. Cedi. Desgraçado, sabia exatamente como. Me puxou os cabelos, caveman filho da puta. E ele era tão bruto, tão animal, que a repulsa e o desejo confundiram-se na minha mente. No meu corpo. Ele seria capaz de me comer ali mesmo, em pé, no corredor do banheiro. Eu estava de saia, seria muito simples. Mas fugi. Dei uma desculpa qualquer e me desvencilhei daquelas mãos repugnantes e daquele corpo suado. E tudo poderia ter terminado desta forma.
Mas, na semana seguinte, não resisti. Porque comigo funciona assim, posso viver tranqüilamente por meses sem sexo. Mas quando alguma coisa (alguém?) me reacende, não consigo pensar em mais nada. E ele estava lá, o mesmo jeito cafona, grosseiro, aquele cabelo meio Roberto Carlos style, o sorrisinho asqueroso.
”Come on baby, light my fire” - desta vez eu tomei a iniciativa. O mesmo corredor, a mesma parede, meus braços ainda com hematomas da semana anterior. ”Vamos pr'um lugar mais calmo”, eu mesma sugeri. E fomos. ”The time to hesitate is through”.
Espelunca nojenta na rua debaixo. Dez reais. Pense no motel mais chinelo que você já freqüentou. Este, com certeza, era ainda pior. Mas dane-se, “Girl, we couldn't get much higher”, o quarto era realmente o menos importante.
Tirou toda a minha roupa, disse que há muito esperava por aquele momento. Elogiou minhas coxas fartas e minha pele "tão branquinha". Me jogou na cama e, entre beijos e chupões, eu disse o quanto o odiava. O quão nojento era o seu visual meio Jim Morrison, meio Frejat. Me chamou de cachorra, e eu gargalhei com vontade diante de tamanho elogio. Minhas unhas vermelhas cravadas em suas costas, os corpos suados, nus no espelho rachado da parede ao lado. Aquela boca repulsiva, a língua sórdida passeando pelo meu corpo. As mãos indecorosas, aquele olhar faminto, ele pulsando dentro de mim. O sexo foi bom, admito. Depois, no bar, um para cada lado. Exatamente como deveria ser.
Ainda nos esbarramos algumas vezes depois daquela noite. Ele, o vocalista cover. Eu, a antipática. E nada além disso, como já era de se esperar.
14/05/08
A três.

Eu não lembro muito bem, cara. É sério, pode crer no que eu tou te falando.
Naquela época eu era outra pessoa, compreende? Ou sei lá... eu era eu mesma e agora talvez tenha me tornado outra, mas isso não vem ao caso.
Mas tudo bem. Eu sei que a tua curiosidade tá te corroendo, sei disso. Senão não ressuscitaria este assunto. Mas... quanto tempo faz mesmo? Quatro anos? Cinco? O tempo tem passado depressa demais, cara. Me sinto perdida.
Tá, eu sei, chega de rodeios. A história. Vou te contar sim, embora a seqüência dos fatos esteja meio incompleta na minha cabeça, embora eu não saiba se foi realmente assim que aconteceu, embora - veja bem - eu não seja mais aquela pessoa.
Então era alguma noite daquele tempo em que eu saía sempre, que eu conhecia um bocado de gente, que entrava de graça onde quisesse e bebia qualquer coisa alcoólica que alguém me oferecesse. Acho que eu já era fã das bolinhas cor-de-laranja, cara. Não sei, como já te disse, não lembro bem quando aconteceu.
E era uma festa em um bar na João Pessoa. Sei lá qual, algum que já fechou, com toda certeza. Os shows acabaram, e o certo era dar aquela esticadinha no lugar de sempre, a casa dos amigos, você sabe. Daquela banda e tal.
O lugar era longinho, pensa comigo. Caminhar da Cidade Baixa até a Independência. Mas, né. Álcool na cabeça, no sangue. A gente sai caminhando, flutuando, nem pensa, nem sente. Quando vê, já chegou e nem sabe como.
Eu, por mais que me esforce, não lembro se fiquei com ele na festa. Mas isso também não importa. O que importa é o que aconteceu na kombi. Não sei bem como aconteceu, eu já te disse isso. Mas seguíamos em caravana, um bando de gente caminhando na madrugada, acho que na Venâncio, quando a kombi apareceu. Na verdade, não sei se era mesmo uma kombi. Mas era um veículo bem grande, e o pessoal todo entrou nele. O motorista (que eu nunca soube quem era) devia estar mais bêbado do que todos nós, alguém perto de mim rezava em voz alta enquanto éramos jogados de um lado para o outro a cada curva do caminho.
Mas nada disso te interessa, já percebi. Calma, a história começa agora. Eu só queria te situar, entende? Pois é.
Então, supondo que fosse mesmo uma kombi, foi ali que tudo começou. Ele era meu conhecido de longa data, já havíamos transado algumas vezes. Ela era uma das minhas melhores amigas. Parceirona de festa.
Eu e ele nos beijávamos, as mãos ágeis por baixo da minha saia, por dentro da minha blusa. Acho que já tínhamos ficado no bar, sim, agora lembro. Mas, subitamente, ele começou a beijar também minha amiga. Até aí, tudo bem. Não me incomodava mesmo em dividir o mocinho com ela.
Mas quando chegamos lá, na "casa", a coisa mudou de figura. Foi meu primeiro "beijo triplo", cara. Disso eu lembro bem. E ele fez com que nós duas nos beijássemos. Sentir aquele rosto lisinho, a pele macia, a língua molhada. Eu fui gostando e gostando e gostando cada vez mais. Não sou lésbica, cara. Não mesmo. Mas eu tinha essa fantasia, saca?
E ele tirou nossas roupas. A pele dela branquinha, mais ainda do que a minha. Os seios fartos, as curvas volumosas. Abriu as pernas dela devagar e me mostrou seu sexo. Guiou minha mão, minha boca, meu prazer. Penetrava uma e chupava a outra. Eu e ele, ela e ele, eu e ela, nós três. Vai e vem ritmado. Brincadeiras sutis. Diversão pura, compreende?
É uma pena, eu sei. Mas eu não lembro de mais detalhes. Não, não tou te escondendo nada. Sei lá, foi álcool demais, as malditas bolinhas, o tempo que passou depressa, essa pessoa que me tornei.
Ah, não. Isso eu não faço, por nada no mundo. Não vou te contar quem é o cara, não adianta insistir. Mesmo ele estando a quilômetros de distância agora. Consideração? Não, não é por aí. Embora eu ache que ele até mereça. Um pouco. Mas não conto. Mesmo porque, se eu te contasse, tenho certeza de que você não acreditaria. Aliás, nem eu acredito, pra ser bem sincera.
28/04/08

a verdade é que o nosso sexo é o melhor já tivemos.
entrega-se totalmente.
selvagem. masoquista. duro. cruel.
lp's velhos. estamos juntos pela manhã.
vamos ficar juntos pra sempre darling?
temos medo.
vamos na sua moto rumo ao desconhecido.
amizade, sexo, amor, paixão.
a roda da fortuna gira incessantemente.
te tenho, te perco.
te sufoco, te liberto.
nada mais importa. vamos viver outro momento.
24/04/08
Resolvi dar uma olhadinha em algumas imagens que eu gosto muito pra, sei lá, buscar uma inspiração, e acabei selecionando uma delas pra dar uma viajada.
O resultado tá aí embaixo. Fantasia total, mas tá valendo.
;)
Sinhazinha Angélica
Sinhazinha Angélica era moça de respeito. Aos dezesseis anos, era prendada como poucas: bordava, costurava, tocava piano e, mesmo contrariando o pai, o sisudo Coronel Antônio, aprendera a ler e, vez por outra, arriscava-se a escrever poemas.
As qualidades excepcionais faziam com que se formasse uma verdadeira legião de pretendentes a marido. Coronel Antônio, por conveniências políticas, acabou cedendo a mão da filha ao banqueiro Alcebíades, um septagenário viúvo e solitário.
Angélica, submissa às ordens do pai, viu-se noiva da noite pro dia. Amedrontada com a inexperiência e sem uma mãe que a aconselhasse, resolveu desabafar com a mucama Jacira, a única "amiga" em quem confiava.
Jacira, que fora desvirginada pelo Coronel, que fora usada, abusada e virada do avesso, viu a chance de vingança crescendo nos olhos inocentes da Sinhazinha. E prometeu ajudá-la. Iria ensinar-lhe técnicas que agradariam ao futuro marido. Tudo que uma dama precisa saber para um casamento feliz.
Trancavam-se as duas por horas a fio em um dos quartos da casa grande. Jacira primeiro ensinou-lhe a beijar. Os lábios grossos da escrava sugavam com vontade a boca delicada de Angélica. As línguas enroscavam-se, a saliva se misturava e se confundia. O vestido aberto, o peitinho rosado, um convite explícito às carícias mais ousadas. Logo, seus corpos já não eram mistério. Conheciam-se intima e completamente.
Mas aconteceu que, uma semana antes do casamento, Angélica disse à escrava:
- Minha amiga, minha cara e fiel Jacira! Serei eternamente grata por ensinar-me tantas coisas, e sei que Alcebíades há de orgulhar-se de uma esposa tão competente e com tão vasto conhecimento. Mas falta-me algo. Afinal, preciso exercitar com um homem o que aprendi contigo, para ter a certeza de não decepcionar meu noivo já logo em nossa primeira noite. Não, não me olhes com esta cara de espanto, Jacira! Conversa com os teus, certamente conseguirás convencer algum deles a fazer-me tal favor.
Os olhos da escrava brilharam ao ouvir o pedido. Afinal, sua vingança estaria completa. Ver a Sinhazinha deflorada por um negro da senzala era muito mais do que ela esperava.
Dois dias depois, Coronel Antônio foi à cidade tratar de seus negócios. Conforme o combinado, Jacira e o irmão Bentinho bateram à porta do quarto de Angélica, que os esperava ansiosa e já sem o espartilho.
Bentinho era mulato forte, bonito, mas de poucas palavras. Ao vê-lo completamente despido, a Sinhazinha quase desfaleceu. Nunca tinha visto um homem nú, e o sentimento que experimentava era um misto de asco e atração, repulsa e desejo. O escravo puxou-a para junto de si e ela pôde sentir a pulsação do membro contra seu ventre. Não houve violência da parte dele, tampouco resistência da parte dela. Chupões, lambidas, posições variadas, penetração incessante, até atingirem o êxtase.
Jacira apenas acompanhava com o olhar, apertando as pernas uma contra a outra, com um indescritível e extraordinário prazer.
No dia seguinte, fugiram os três.
Coronel Antônio prometeu recompensa generosa a quem encontrasse Angélica e os meio-irmãos, frutos de suas noites de amor com Setembrina, a cozinheira da casa grande.
09/04/08
Boite Roma

Jacqueline acabara o número de streaptease e estava encostada no balcão arrumando umas cervejas na bandeja, quando uma colega lhe deu o recado:
- Mesa onze quer um programa.
"Vamos lá", pensou ela, que já trabalhava naquele inferninho há quatro anos.
Jacqueline encaminhou-se tranquilamente para a mesa onze, sem imaginar a surpresa que lhe aguardava. A jovem prostituta levou um susto ao reconhecer o homem que a esperava. Levou as duas mãos até a boca, arregalou os olhos míopes e exclamou:
- Pai??? Pai!!!
- Senta aí, gostosa.
- Ficou maluco? suma daqui!
- Que foi? eu tenho dinheiro, tá aqui! ó! Grana! - o homem começou a tirar as notas de dentro do bolso interno do paletó e jogava sobre os pés da estarrecida garota.
Diante dela, o motivo que a levou para aquela boate.
Gersinho, o dono do boate, detestava confusão e foi lá para ver o que estava acontecendo.
- Algum problema, patrão? - perguntou ao cliente.
- Todos, meu amigo, a piranha acha que não sou bom o suficiente pra ela.
- Jack? o que está havendo?
- Gé, esse homem é meu pai... meu pai, Gé! - falou a garota, já aos prantos.
Gersinho balançou a cabeça negativamente e mandou os seguranças o levarem pra fora. Aos gritos, o homem proferia os piores desaforos à filha.
Abraçada à bandeja de cervejas, Jacqueline olhou para Gersinho, que ajeitava a gola da camisa. Os olhos úmidos e borrados de rímel a deixavam com um ar de inocente abandono.
- Sabe, Gé... tem tanto tempo que estou aqui, mas nunca te disse uma coisa: tu és como um pai pra mim, sacou? valeu, cara.
- Encerra isso aqui por hoje, guria.
Ao vê-la se afastar, de calcinha vermelha fio-dental, com a mão a segurar os cabelos na altura na nuca, Gersinho limpou o suor da testa e sentiu pena dela, muita pena.

