para A Polaquinha, com amor.
I
Charlie me liga, mas eu não o atendo.
Ele insiste, garoto persistente que é, sempre foi, ao menos até hoje. Outra e mais outra e mais outra vez.
Torturá-lo com meu silêncio só faz com que o prazer seja ainda maior. Certa dose de sadismo, talvez você pense. Pra mim é uma grande diversão.
II
Tenho um brinquedinho novo, agora. Celular, modelo compacto, cabe na palma da mão. Simples, porém muito eficiente. O alerta vibratório é ultra potente, qualquer dia te mostro.
Se caminho pelas ruas do Bonfim ou Cidade Baixa, guardo bem escondido, que é pra ladrão folgado não achar assim tão fácil. Sou proleta, meu dinheirinho é suado, cara, tá pensando o quê?
III
É madrugada de sexta e Charlie me liga. O telefone entre as coxas, aninhado dentro da calcinha rendada. O vibracall ativado.
O sorriso estampado no meu rosto, a respiração acelerada, o coração descompassado, o calafrio que vem de baixo e percorre todo o corpo.
Charlie liga, liga, liga.
Eu não atendo, não atendo, não atendo. Nunca.

6 comentários:
Isso me lembra quando ganhei meu primeiro celular, adorava ficar com ele no meio das pernas, e torcia pra alguém ligar!!!
hahaha
good vibrations.
:D
ahahaha eu nao tenho tanta queda por celular, mas jamais condenaria ahahha a técnica do vibra call sempre foi muito famosa.
mas andar com polaquinha e a carol na rua, com os celulares entre as pernas é realmente muito divertido ahahahah
viva os beach boys e viva as poucas coisas boas do mundo moderno, o celular, por exemplo, e é claro, viva nós! ahahahah
espero que os ladrões não leiam este blogue.
:P
o charlie sempre pergunta onde etá o celular...
thank's carol! mto bom!
ôpa! muito bom. muitíssimo.
isso tem que virar um curta-metragem.
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