14/01/08


“ Eu sou uma garota, tenho 22 anos, pretty long legs, vestido preto e branco de algodão, e sábado passado, expressava-me como se estivesse fazendo poesia. Não é sempre que me sinto tão relaxada para tal.
Na volta da compra de mais cervejas para o estoque do labirinto, eu dizia para o garoto que pedia a cerveja, que eu já a daria, pois ainda não tinha bebido. Indagou ele: Não bebeu? Como não?
Eu: É que eu estou segurando enquanto falo...fica mais bonito no contexto.
Rimos.
É muito mais divertido ser sua amiga, voando tanto quanto eu.
Eu acho que as prosas são versos super existencialistas e difíceis de lembrar depois. Triste realidade, pois poderia escrever um bom livro com o que falo por aí. Quem dera ter a memória de Caio Fernando Abreu nesses dias seguintes.
O banheiro é lindo e minha bexiga é totalmente esvaziada conforme assisto duas garotas usarem uma substância legal. Abro minhas pernas, uma delas fica normal em seu lugar de sentada, e estico a outra no degrau... me satisfaço tão leve como pluma, que muito leve, leve pousa.
Saio e vou em direção à pista onde todos dançam Jerry Lee Lewis freneticamente trezentos e cinqüenta vezes.
Subo os degraus atrás de outra cerveja. O amigo está mijando de porta aberta. Eu, na simples e suave coisa, entro no banheiro e dou lhe um beijo suave coisa nenhuma. Meu íntimo é acariciado, minha bunda, vítima das mãos do rapaz. Pode ser no plural, tenho uma certa sina em gostar de permitir algumas mãos em mim.É minha, mas pode ser de quem eu quiser, ok? Agora leve, muito leve acaricio o seu rosto e fundo olhos nos olhos, milhares de tentações, já é dia lá fora, ele abre o zíper e apresenta aquele bem dotado que ele cultiva entre as pernas. Eu olho, gosto, mas decido ir. A porta não tem chave, brincar de me divertir é meu lema favorito e agora não é mais “noite” de ceder .
Desço. Aprecio aqueles casais. O embalo divertido e colorido que só o rock and roll nos proporciona. Desculpem-me os pagodeiros, os funkeiros, os metaleiros, mas o rock and roll tem uma essência singular. Essência essa pretenciosa na medida do adorável e alucinamente desde muitas décadas.
O amigo some. Eu sento no sofá e contemplando permaneço.
Uma garota que conheci naquela noite, bem simpática, volta descabelada de um dos quartos. Penso sorrindo: meu amigo deu um jeito nela!
E ela estava feliz e ele "baleado". Não restam dúvidas do ocorrido.
Gosto da satisfação, não só a minha, mas das pessoas ao meu redor.
Me sinto à vontade para fazer o que eu quiser.
Uma das minhas amigas está botando som. Eu vou lá de vez em quando.
Danço sozinha ou com alguém.
Restam dois casais, a dj, eu, e o garoto-mala do canto da pista.
Liguei o foda-se e fiz minha vontade. Vontade essa que, glória aleluia, há muito tempo estava reprimida.
Me distanciei do sofá e correndo fui em direção ao mesmo, só que num impulso minhas mãos estavam no chão e meus pés na parede.
Como se diz o movimento: plantei uma bananeira ou fiz uma ponte?
A garota que estava com meu amigo teve a mesma vontade e fez o mesmo.
Dancei com o garoto que antes dançava com minha outra amiga, essa, estava longe de Porto Alegre, e voltou com 3 anos de estoque de energia, fazendo mil acrobacias na coreografia sem premeditações da dança dos dois.
Voltei a plantar bananeiras ou a fazer pontes. Foi um bate e volta múltiplo.
Eu não estava triste por estar sozinha. Estava feliz pois jazia confortavelmente entorpecida, viajando, num lugar onde me sinto protegida e “em casa”.
Passadas algumas horas da manhã, foi feito o convite de dormir na minha casa, ao garoto que estava com minha amiga dos galões de energia.
Ele disse que sim, sim, sim. Estranhei a atitude, mas, então sim.
Fomos em direção à Oswaldo Aranha pegar o ônibus. Eu queria pegar um táxi mas minha amiga teve razão: gastamos muito dinheiro em táxi, podemos agüentar firmes e esperar o bus.
A garota que voltou descabelada do quarto pegou o primeiro ônibus na parada do lado da rua avesso ao nosso.
O mala se tocou e foi embora sei lá para onde.
O amigo, veio conosco.
Perdemos o primeiro ônibus.
Fomos na redenção porque minha bexiga pedia mais alívio. Foi engraçado.
Voltamos para a parada e eu e o amigo e mais o outro casal, entre beijos e risadas esperamos o tempo passar.
Meus seios eram acariciados e um deles ganhava beijinhos e lambidas quando ninguém servia de testemunha.
Chegou nosso bus. Fomos correndo para embarcar.
Mas o guri que disse sim sim sim, na hora H, decidiu ficar.
Beijamo-nos todos, eu e ela fomos e eles seguiram seus caminhos.
Adoro a mim, sou a responsável por satisfazer minhas vontades, por me mimar, me amar e me permitir.
Gostei do ventilador que funcionava no chão. De dançar em cima dele e de usar o tal vestido de algodão.
I like it...Unconditionally .”

6 comentários:

Carol disse...

há quem prefira overdoses de bette davis e pipoca caramelada.

sinal dos tempos???

Marie, Marie. disse...

fase, só fase. tu voltarás.

Emmanuelle disse...

estava com o secos e molhados na cabeça?
Adoro essa música deles.
beijo

A Polaquinha disse...

voa marie, voa...
amo-te!

Marie, Marie. disse...

estava sim. tb adoro aquela música.

e to voando e pousando constantemente. ahhahha

fale com ela disse...

Estou retribuindo a visita ao mundo das ervilhas. Adorei tudo aqui, e a dica do livro também.