19/02/08

O texto a seguir é antigo. Foi escrito provavelmente em meados de 2003. Infelizmente, tenho o péssimo costume de não datar anotações.
Já foi publicado, na época, em dois outros blogues. Como ambos não mais existem, e já que a (minha) incapacidade criativa impera, resolvi transcrevê-lo pra cá.


*


Mentiras Sinceras



I

Estavam em um dos quartos da casa. Os dois. Mais uma vez.
- Não devia estar aqui. Não podia estar fazendo isto.
- O que houve?
- Estou namorando.
- Tu?
- Namorando sério. Temos um compromisso.
- Não esquenta querido. Ela não vai saber. A não ser que tu contes.
Beijam-se.
- Já te disse que és a melhor?
- Todas as vezes.
- Lembro da primeira...
- Faz um ano já. Aqui, neste mesmo lugar.
- Mesmo que eu me case, serás sempre a minha amante.
- ...
- Quer ser a minha amante?
- Quem sabe.
Vozes e passos no corredor. Ele finge certa preocupação. Ela finge acreditar.
- E agora?
- O quê?
- Como vamos sair daqui? Não podemos ser vistos juntos.
- Por mim fico até amanhecer.
- Não brinca.
- Saímos um de cada vez. Quem primeiro?
- Vai tu, eu vou atrás.
Vestem as roupas que espalhavam-se pelo chão.
Ela sai tranqüilamente e, sob olhares curiosos, atravessa a sala em direção ao banheiro.
Ele, na direção oposta.
Como se já não estivessem totalmente acostumados a tudo aquilo.


II

- E a namorada?
- Bem. Ali, conversando.
- É... De uns tempos pra cá, toda a vez em que nos encontramos vocês estão juntos.
- Ela viaja daqui a uns dias. Estudar no exterior, um lance de intercâmbio. Volta só no ano que vem.
- (...)
- Verdade. Aí, tudo volta a ser como era antes. Te dou minha palavra.
- Duvido.


III

- Fiquei sabendo que vais viajar.
- Ahan. Intercâmbio, babe.
- É. Vai ser legal.
- Olha, quero te pedir uma coisa.
- (...)
- Sei da tua história com o meu lindinho.
- (...)
- Sempre soube, não temos segredos. É isso que fortalece nossa relação. Mas olha, o negócio é o seguinte: enquanto eu estiver fora, quero que cuides dele pra mim. Faria isso?
- Certamente que sim.
Concordou, mas achando que agora a história tinha perdido toda a graça.

11 comentários:

Comentarista Abalizado disse...

Sim... a graça toda era a sacanagem!

Ser amante é uma coisa, mas prestar favores à titular deve ser deprimente.

Eu também preferiria o papel de "outro". Mais divertido e instigante.

Viram, nem sou tão pudico quanto meus comentários anteriores poderiam fazer supor!

Emmanuelle disse...

Eu gosto de ser amante, se tem aprovação perde a graça, tá uma vez eu entrei num banheiro com amigo e com namorada dele e beijei ele na frente da moça, ela deixou mas quando meu namorado chegou ficou crescendo o olho nele, meu amigo ja deu um apertão nela e disse que meu namorado não tava na jogada...rs
Era divertido esse tipo de coisa

Emmanuelle disse...

Esqueci de dizer que isso ocorreu no ano de 1998, nunca é demais por data ja que hj em dia namoro também e sou fiel ao meu namorado.
Nunca se sabe quem lê isso aqui, não quero gente por ai dizendo que traio...

Comentarista Abalizado disse...

Só quem se deu mal foi o namorado do ano de 1998... nem ficou sabendo de nada e a mulher que crescia o olho para o lado dele foi repreendida. E o pior, todo mundo sabia do ocorrido, menos ele...
Ou seja, prejuízo total.

Por esta ótica ser amante autorizado nem parece tão ruim...

Emmanuelle disse...

haha! essa história é ótima, ele nunca soube de nada pq sempre fui discreta, o engraçado da história é que ele também era amigo desse moço que beijei, e ...
Ah vou escrever um conto sobre isso.

Comentarista Abalizado disse...

Imagino que tenha sido discretíssima... até porque tal descoberta não deveria fazer muito sucesso com o namorado em questão.

E sobre o outro moço... que amigão! Hahahahahahahahahah

Mary Farias disse...

hahahaha adorei.

Carol disse...

pô, senti certa saudade do tempo em que esta bosta foi escrita.

aiai.

Dani disse...

essa história eu conheço contada, já era passado.

acho que se tu encontrasse ele hoje tu iria relevar essa saudade.

Carol disse...

dani? qual dani?

ükma disse...

é um textinho desconcertante. Esse cara tem que valer mto a pena. Será? Não gosto de homens que se "acham".