
Eu não lembro muito bem, cara. É sério, pode crer no que eu tou te falando.
Naquela época eu era outra pessoa, compreende? Ou sei lá... eu era eu mesma e agora talvez tenha me tornado outra, mas isso não vem ao caso.
Mas tudo bem. Eu sei que a tua curiosidade tá te corroendo, sei disso. Senão não ressuscitaria este assunto. Mas... quanto tempo faz mesmo? Quatro anos? Cinco? O tempo tem passado depressa demais, cara. Me sinto perdida.
Tá, eu sei, chega de rodeios. A história. Vou te contar sim, embora a seqüência dos fatos esteja meio incompleta na minha cabeça, embora eu não saiba se foi realmente assim que aconteceu, embora - veja bem - eu não seja mais aquela pessoa.
Então era alguma noite daquele tempo em que eu saía sempre, que eu conhecia um bocado de gente, que entrava de graça onde quisesse e bebia qualquer coisa alcoólica que alguém me oferecesse. Acho que eu já era fã das bolinhas cor-de-laranja, cara. Não sei, como já te disse, não lembro bem quando aconteceu.
E era uma festa em um bar na João Pessoa. Sei lá qual, algum que já fechou, com toda certeza. Os shows acabaram, e o certo era dar aquela esticadinha no lugar de sempre, a casa dos amigos, você sabe. Daquela banda e tal.
O lugar era longinho, pensa comigo. Caminhar da Cidade Baixa até a Independência. Mas, né. Álcool na cabeça, no sangue. A gente sai caminhando, flutuando, nem pensa, nem sente. Quando vê, já chegou e nem sabe como.
Eu, por mais que me esforce, não lembro se fiquei com ele na festa. Mas isso também não importa. O que importa é o que aconteceu na kombi. Não sei bem como aconteceu, eu já te disse isso. Mas seguíamos em caravana, um bando de gente caminhando na madrugada, acho que na Venâncio, quando a kombi apareceu. Na verdade, não sei se era mesmo uma kombi. Mas era um veículo bem grande, e o pessoal todo entrou nele. O motorista (que eu nunca soube quem era) devia estar mais bêbado do que todos nós, alguém perto de mim rezava em voz alta enquanto éramos jogados de um lado para o outro a cada curva do caminho.
Mas nada disso te interessa, já percebi. Calma, a história começa agora. Eu só queria te situar, entende? Pois é.
Então, supondo que fosse mesmo uma kombi, foi ali que tudo começou. Ele era meu conhecido de longa data, já havíamos transado algumas vezes. Ela era uma das minhas melhores amigas. Parceirona de festa.
Eu e ele nos beijávamos, as mãos ágeis por baixo da minha saia, por dentro da minha blusa. Acho que já tínhamos ficado no bar, sim, agora lembro. Mas, subitamente, ele começou a beijar também minha amiga. Até aí, tudo bem. Não me incomodava mesmo em dividir o mocinho com ela.
Mas quando chegamos lá, na "casa", a coisa mudou de figura. Foi meu primeiro "beijo triplo", cara. Disso eu lembro bem. E ele fez com que nós duas nos beijássemos. Sentir aquele rosto lisinho, a pele macia, a língua molhada. Eu fui gostando e gostando e gostando cada vez mais. Não sou lésbica, cara. Não mesmo. Mas eu tinha essa fantasia, saca?
E ele tirou nossas roupas. A pele dela branquinha, mais ainda do que a minha. Os seios fartos, as curvas volumosas. Abriu as pernas dela devagar e me mostrou seu sexo. Guiou minha mão, minha boca, meu prazer. Penetrava uma e chupava a outra. Eu e ele, ela e ele, eu e ela, nós três. Vai e vem ritmado. Brincadeiras sutis. Diversão pura, compreende?
É uma pena, eu sei. Mas eu não lembro de mais detalhes. Não, não tou te escondendo nada. Sei lá, foi álcool demais, as malditas bolinhas, o tempo que passou depressa, essa pessoa que me tornei.
Ah, não. Isso eu não faço, por nada no mundo. Não vou te contar quem é o cara, não adianta insistir. Mesmo ele estando a quilômetros de distância agora. Consideração? Não, não é por aí. Embora eu ache que ele até mereça. Um pouco. Mas não conto. Mesmo porque, se eu te contasse, tenho certeza de que você não acreditaria. Aliás, nem eu acredito, pra ser bem sincera.

7 comentários:
o cara acho que sei quem é, agora a garota mistério...rs
beijo
Mas, quem é que vai querer saber quem era o cara?
Eu só sei que não era eu... e isso já me basta. Oh, que tristeza!
Sobre o outro, não precisa de nome, todos podem chamá-lo pela alcunha de "sortudo"!
nomes são apenas substantivos.
as personagens sobrevivem melhor sem eles.
hahaha, nesse caso eu concordo com vc, pra que nomes?
não lembrava do trajeto da kombi!
faltou a parte em q o mocinho dançava vestindo a tua roupa...
sim, sim. pois faltou.
qualquer dia eu conto o resto.
ou não.
;)
ahahaha denovo, muitas risadas e muito feliz.
vcs estao escrevendo cada vez melhor! e carol, tu tá arrasando nos escritos!
pena que eu qdo quero escrever, nao posso,e qdo posso, tenho que escrever resenha pra filme da facul :S, tá é legal, mas é foida, muita coisa pra fazer. entao fico rabiscando (as coisas que mais gosto de escrever) no onibus e as coisas ficam perdidas entre meus papéis e cadernos.
mas jamais esqueço de voces!
saudades.
beijos
Postar um comentário